FOIRNFORMAÇÃO
E DIÁLOGO
Conjuntura do movimento indígena Rio Negro e Brasil · Outubro de 2026
Rio Negro ao entardecer — fotografia de Juliana Radler, publicada pela FOIRN
POVOS DO RIO NEGRO
Memória, território e futuro.

FOIRN • FORMAÇÃO E DIÁLOGO

Conjuntura do movimento indígena
do Rio Negro e do Brasil

Desafios políticos atuais, direitos territoriais e caminhos de fortalecimento

Palestra • 30 minutos • Outubro de 2026

Dário Baniwa | Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

FOIRN • Movimento indígena do Rio Negro • Outubro de 2026
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Encontro comunitário em oficina de gestão territorial — acervo FOIRN
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Memória, território e futuro.

01 • ABERTURA

A questão central: território é vida

A defesa territorial não é uma pauta isolada: é a base da autonomia, da cultura, da saúde, da alimentação e do futuro dos povos indígenas.

01

Território

Lugar de origem, memória, língua, circulação e pertencimento.

02

Direitos

Constituição, consulta, proteção e usufruto exclusivo.

03

Futuro

Clima, água, juventude, economia indígena e próximas gerações.

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Almerinda Ramos de Lima, liderança Tariana — acervo FOIRN
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02 • CONJUNTURA LOCAL

Rio Negro: diversidade que constrói força coletiva

FOIRN fundada em 1987; representa 24 povos indígenas do Rio Negro.

Atuação nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, com articulação para além da região.

Organização de base: associações, comunidades, lideranças, mulheres, jovens e conhecedores tradicionais.

Cinco coordenadorias regionais conectam realidades diferentes e ajudam a transformar demandas comunitárias em agenda coletiva.

A força política vem da diversidade dos povos e da capacidade de decidir juntos, sem apagar diferenças.

Referência: FOIRN, página institucional: foirn.org.br

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Cartografia social participativa — acervo FOIRN
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02 • CONJUNTURA LOCAL

O papel político da FOIRN

01

Representar

Levar as demandas das comunidades aos órgãos públicos e espaços de decisão.

02

Articular

Fortalecer associações, coordenadorias e alianças regionais e nacionais.

03

Acompanhar

Cobrar políticas públicas, demarcação, fiscalização e implementação dos PGTAs.

• Governança forte exige transparência, escuta, prestação de contas e participação real das bases.

• Representação não substitui a voz das comunidades: organiza e amplifica essa voz.

Referência: FOIRN: foirn.org.br

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Rio Negro ao entardecer — fotografia de Juliana Radler, publicada pela FOIRN
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03 • TERRITÓRIO

Direitos territoriais no Rio Negro: onde estamos?

12 terras indígenas na área de abrangência do FIRN

01

8 homologadas

Alto Rio Negro, Balaio, Médio Rio Negro I e II, Rio Apapóris, Rio Tea, Uneiuxi e parte da TI Yanomami.

02

2 declaradas

Jurubaxi-Téa e Cué-Cué/Marabitanas.

03

2 em identificação

Baixo Rio Negro I e Baixo Rio Negro II.

A etapa administrativa importa — mas também é decisivo garantir proteção efetiva, fiscalização, gestão territorial e participação comunitária.

A situação processual pode mudar; confirme atualizações oficiais antes de citar casos específicos.

Referência: FIRN/FOIRN: firn.foirn.org.br/territorio-ou-area-de-abrangencia/

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Jovens em oficina de gestão territorial — acervo FOIRN
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04 • PRIORIDADES REGIONAIS

Desafios concretos nas comunidades

Demarcação pendente e segurança jurídica de territórios ainda em identificação ou declaração.

Fiscalização insuficiente diante de invasões, garimpo, pesca e exploração ilegal, quando presentes.

Serviços públicos distantes: saúde, educação escolar indígena, assistência social, comunicação e transporte.

Pressões sobre alimentação, água e renda, agravadas por cheias, secas extremas e mudanças no regime dos rios.

Fazer os PGTAs saírem do papel, com recursos, assistência técnica e protagonismo das comunidades.

Referência: FIRN/FOIRN: firn.foirn.org.br; FOIRN: foirn.org.br

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Produção de farinha e conhecimentos tradicionais — acervo FOIRN
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04 • PRIORIDADES REGIONAIS

Território, clima e bem viver

01

Água e rios

Cheias e secas alteram deslocamentos, abastecimento, pesca, roças e acesso a serviços.

02

Segurança alimentar

A resposta precisa apoiar roças, manejo, pesca sustentável, sementes e conhecimentos tradicionais.

03

Adaptação climática

Monitoramento comunitário, alertas, energia limpa e água segura devem fortalecer a autonomia local.

Proteger a floresta sem garantir condições dignas às comunidades é uma política incompleta. A gestão territorial precisa combinar conhecimento indígena e apoio público.

Referência: FOIRN/FIRN: foirn.org.br; firn.foirn.org.br

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Encontro comunitário em oficina de gestão territorial — acervo FOIRN
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05 • CONJUNTURA NACIONAL

O que a Constituição garante?

Artigo 231 da Constituição Federal

Reconhece os direitos originários sobre as terras tradicionalmente ocupadas.

Reconhece organização social, costumes, línguas, crenças e tradições.

Estabelece posse permanente e usufruto exclusivo das riquezas do solo, rios e lagos, nos termos constitucionais.

Demarcar não cria o direito: identifica e protege um direito originário.

Mensagem-chave

O Estado tem obrigação constitucional de proteger os territórios e concluir os procedimentos de demarcação. A demora prolongada aumenta vulnerabilidades e conflitos.

Referência: Constituição Federal, art. 231; STF: portal.stf.jus.br

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Almerinda Ramos de Lima, liderança Tariana — acervo FOIRN
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05 • CONJUNTURA NACIONAL

Marco temporal: disputa jurídica e política

A tese do marco temporal restringe o direito às terras ocupadas ou disputadas em 5 de outubro de 1988.

O STF rejeitou a tese em 2023 e voltou a considerar inconstitucional o trecho da Lei 14.701/2023 em dezembro de 2025.

A disputa, porém, não terminou: regras sobre indenizações, ocupantes não indígenas e procedimentos continuam em debate e podem afetar demarcações.

Para os povos, o risco é transformar expulsões históricas e falta de acesso à Justiça em obstáculos para reconhecer o território.

Acompanhar decisões judiciais e propostas legislativas é parte da defesa territorial.

Referência: STF, 22/12/2025: noticias.stf.jus.br; ISA, junho de 2026

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Cartografia social participativa — acervo FOIRN
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05 • CONJUNTURA NACIONAL

Desafios políticos nacionais

01

Congresso Nacional

Projetos e pressões políticas que podem restringir demarcações, licenciamento e proteção territorial.

02

Judiciário e Executivo

Decisões e políticas precisam sair do papel, com prazos, orçamento, fiscalização e consulta indígena.

03

Interesses econômicos

Mineração, grilagem, obras e exploração de recursos podem pressionar territórios e modos de vida.

O cenário exige vigilância, informação confiável e participação organizada — não apenas mobilização quando a ameaça já avançou.

A política indígena precisa dialogar com os poderes públicos sem perder autonomia, independência e compromisso com as comunidades.

Referência: APIB, nota política de 05/08/2026; STF; Ministério da Justiça

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06 • RESPONSABILIDADE DO ESTADO

Yanomami: alerta sobre proteção integral

258

indígenas assassinados no Brasil em 2025, segundo relatório do CIMI divulgado em 2026

01

A crise é territorial

Garimpo ilegal, violência, contaminação ambiental e fragilidade dos serviços públicos ameaçam vidas e autonomia.

02

A resposta deve ser integral

Proteção territorial, saúde, assistência social, recuperação ambiental e alternativas sustentáveis precisam caminhar juntas.

A audiência pública sobre o território Yanomami deve avaliar resultados concretos, ouvir os povos e cobrar continuidade, orçamento e transparência.

Referência: Agência Brasil/CIMI, agosto de 2026; Senado Federal, audiência de 27/10/2026

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Educação indígena — acervo do site FOIRN
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06 • RESPONSABILIDADE DO ESTADO

Direito reconhecido precisa virar realidade

Demarcação e proteção física do território.

Fiscalização contínua e responsabilização de invasores e financiadores de atividades ilegais.

Consulta livre, prévia e informada quando medidas possam afetar os povos.

Políticas culturalmente adequadas de saúde, educação, assistência e segurança alimentar.

Recursos diretos e acessíveis para gestão territorial, associações e iniciativas comunitárias.

Participação indígena nas decisões e avaliação pública dos resultados.

Referência: Constituição Federal; Convenção 169 da OIT; Senado Federal

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07 • CAMINHOS

Agenda estratégica para o movimento indígena

01

1. Unidade com diversidade

Fortalecer assembleias, coordenadorias, associações, mulheres, jovens e conhecedores.

02

2. Incidência política

Monitorar Congresso, STF, ministérios, órgãos ambientais e orçamento público.

03

3. Gestão territorial

Transformar PGTAs em ações financiadas, com indicadores, monitoramento e prestação de contas.

04

4. Comunicação própria

Registrar evidências, contar histórias com consentimento e combater desinformação.

05

5. Alianças responsáveis

Construir parcerias sem abrir mão da autonomia e das prioridades definidas pelos povos.

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Iniciativa indígena — acervo do site FOIRN
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07 • CAMINHOS

O que precisamos cobrar agora?

Calendário público e transparente para concluir processos de demarcação pendentes.

Proteção territorial com presença contínua do Estado e resposta rápida a ameaças.

Financiamento estável para PGTAs, adaptação climática e iniciativas econômicas indígenas.

Consulta e participação efetiva dos povos em decisões que afetam seus territórios.

Políticas de saúde, educação e assistência desenhadas com as comunidades e avaliadas por resultados.

Reconhecimento do papel das organizações indígenas como parceiras e fiscalizadoras das políticas públicas.

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MENSAGEM FINAL

Sem território protegido,
não há autonomia indígena.

A defesa dos direitos territoriais é uma responsabilidade constitucional, política, ambiental e humana.

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